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quarta-feira, 14 de julho de 2010
  Saudades do Velho Recanto e da boemia em Batalha
 
     No final do ano de 2005 a pracinha do Recanto estava assim bem cuidada que dava gosto sentar nos poucos bancos existentes.
     Olhando a foto abaixo, ainda com a propaganda eleitoral do ano anterior nos muros, vemos a casa do saudoso Senhor Vieira ao fundo. Do lado direito morava o telegrafista Zé Carvalho, já falecido, e sua esposa Adelaide que nos deixou recentemente.
     Não sou da época de ouro do rádio brasileiro, tão pouco da cinematografia nacional. Mas posso dizer que "peguei" pedaços no tempo da geração boêmia, das serenatas, dos banhos, das caçadas, dos namoros nas praças, das canoinhas, das tábuas de pirulitos, das prendas nos leilões do Domingos Cesário e Badão. Da música só me faltou acompanhar meu avô Rufino tocando ao violão a valsa Momentos Felizes e o saudoso Fausto Rocha, relojoeiro, que também executava com maestria a valsa-hino de nossa terra. Mas ouvi e até toquei violão com o batalhense Eliomar e fiz muitas serenatas com Aloísio do Fausto e Senhor Vieira.
     Sempre nos falta algo, mas não tenho a lamentar. Foi e sempre será para mim motivo de orgulho esses traços da memória, pedaços de vida.
     Pouco antes de morrer, lembro-me do Senhor Vieira à porta de sua casa chamado pelo som do Dilermano Reis executando Abismo de Rosas. Simplesmente parei o carro em sua porta, liguei o som e comecei uma serenata à luz do dia. Ficamos alguns momentos recordando muitas gravações da época de ouro do nosso rádio. Vi descerem lágrimas quando tocava a Valsa dos Marinheiros e Sons de Carrilhões. Calado, pensativo , o mestre deixava um sorriso inacabado na face. Então levantei-me e desliguei o som rapidamente.
     A serenata fora de hora acabou. O mestre se recompôs e me contou algumas belas passagens de sua juventude, das pescarias, do ofício de alfaiate que disputava com o saudoso Fonseca a pequena e exigente frequesia dos senhores da terra.
     Do amigo dileto de meu pai, seu Zé Carvalho, também tenho muitas lembranças. Mas deixo pra depois. Pois os bancos do Recanto lembram serenatas e boemia: sinônimos de Senhor Vieira declamando Meus Quinze Anos de Casemiro de Abreu com direito a fundo musical seu. Ou simplesmente tocando Ciclone ou os encantos de Tereza, aquela cabloca famosa.

       "... ela se enamorou de outro rapaz, mas depois que o ciclone atingiu nossos caminhos..."

      " ... Tereza aquela cabocla que andava de boca em boca fazendo juras ao luar..

        ... disse-lhe que não, companheiro é minha viola que canta o que eu quiser...

        ... viola não é como homem que crer em juras de mulher!"

     Só falta o Prezinho pedir pra botar "uma bem grande" daquela cachaça manipulada.
     Todos se emocionavam e mais uma talagada da "pôde" pra cada um sem deixar a do Santo.
      Não se podia esquecer o parafraseado dos versos de nosso poeta maior Da Costa e Silva, que diziamos assim:
"Tomarei esta para aliviar os malefícios da vida.

Queira Deus não mande malefício maior!"

      George Machado Tabatinga, um batalhense que tem muito orgulho do seu passado

 
Comentários:
Enviado por Leoni Quaresma de Melo em 16/07/2010 às 10:31:00
Caro George, Primeiro, quero concordar com o comentário do leitor anônimo em obsersar que a foto em comento não é da Pracinha do Recando e sim da Praça Padre Guimarães(Sapucaeira), portanto foi postada por equívoco. Assim, parabenizo-lhe pela bela e merecida crônica, tendo como protagonista o nosso saudoso SENHOR VIEIRA, de resto somente muita saudade. Com efeito, faço um resgate memorável dos primeiros moradores e residências que formavam o RECANTO. De um lado a parte do fundo da casa do Senhor Sansão, do outro, a casa do Patriarca dos Vierias o Sr. João Vieira e Sua saudosa esposa Dona Maricada, com casa geminada com Dona Cícera das mangas Rosas, do outro lado a casa do Senhor Zumba(depois ocupada pelo nosso saudoso Zé Carvalho e D. Adelaide) com extensão também geminada a casa do Senhor Clarindo Celedone e D. Jovem e no canto o Curral do Senhor Machado. Naquele recinto funcionava a quitanda do Senhor João Vieira que era um verdadeiro e completo empório. Tinha de tudo, chocalho, "fôjo", matraca, cangalha, estribo,fumo em trança, pote, quartinha, fusseira, cia para amarrar cangalha, cela, chibão, mocó de pé, chpa para fornalha, tacho para doce, bilheira, corda, pinico, peneira, coco para tirar água e outras variedades que hoje não são utilitários. Assim, se foi o tempo e a lembrança viva e gostosa nos martirisa em dor.
Enviado por Leitor da Página em 14/07/2010 às 19:06:08
Senhor adm. só uma ressalva. A foto em epígrafe é da praça da sapucaeira, com a casa do sr. Domingos Cesário ao fundo, mais ao lado a casa o Biló. Um abraço.
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