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terça-feira, 18 de agosto de 2009
  Decreto nº 13.765, de 20 de julho de 2009 garante a raça de Gado Pé Duro
 
     O gado chamado de "Pé-Duro" é reconhecido como patrimônio histórico cultural do Piauí.
A raça de gado Pé-Duro tem mais ou menos 500 anos de existência e o Piauí é um dos únicos lugares onde ainda existe esse tipo de raça.

     FONTE: FUNDAC

     O Governo do Estado, através de requerimento encaminhado pelo deputado estadual Marcelo Coelho para a Fundação Cultural do Piauí (Fundac), garantiu, por meio do decreto nº 13.765, o reconhecimento da raça de gado Pé-Duro, também conhecido gado curraleiro, como patrimônio histórico e cultural do Piauí, por entender que resguardar e conservar a raça de gado mais antiga do Brasil e que foi decisiva para o povoamento do Nordeste brasileiro, especialmente o do Piauí, é de fundamental importância patrimonial.

     A assinatura do Decreto nº 13.765, em 20 de julho de 2009, foi o primeiro passo legal para garantir que a raça de gado Pé-Duro não seja extinta, tendo sido aprovado o processo de registro, por unanimidade, pelo Conselho Estadual de Cultura.

     Segundo Patrícia Mendes, diretora da Coordenação de Registro e Conservação da Fundac, o gado Pé-Duro tem um valor histórico e social para o Estado: ?A raça de gado Pé-Duro tem mais ou menos 500 anos de existência e o Piauí é um dos únicos lugares onde ainda existe esse tipo de raça. Fora que todo povoamento do Piauí aconteceu através do ciclo de gado. Assim, tivemos a preocupação de fazer esse registro, exatamente para proteger essa raça de gado que é uma das mais importantes para se preservar?, ressaltou.

     Nesse processo de conservação da raça curraleira, o papel da Embrapa Meio-Norte foi decisivo. Ainda na década de 80, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária implantou a Unidade Experimental Octávio Domingues, em São João do Piauí, na zona do semiárido, o Núcleo de Conservação da Raça Pé-Duro. Nesse núcleo, os animais são mantidos em condições o mais próximo possível daquelas em que a raça se formou, com o objetivo de manter sua rusticidade. Seu rebanho atual chega a quase 400 cabeças de gado.

     A raça Pé-Duro só não desapareceu completamente devido à formação desse núcleo de preservação em São João do Piauí e ao trabalho patriótico de alguns criadores que mantiveram seus rebanhos e constituíram, em 1976, a Associação Brasileira de Criadores de Gado Pé-Duro (ABPD), com sede em Teresina, Piauí. A entidade conta com 32 associados, inclusive a Embrapa, abrangendo mais de dois mil animais.

     Ainda segundo a coordenadora de Registro e Conservação da Fundac, Patrícia Mendes, o decreto encaminhado, através da Fundação Cultural do Piauí, assegura legalmente a importância do gado Pé-Duro para o Estado, além de funcionar como um incentivo para que se procure fazer registros semelhantes no futuro, a exemplo da cajuína, que em 2008 teve o modo artesanal de se produzir a bebida reconhecido no âmbito estadual como relevante culturalmente para o Piauí.

Características

     Segundo informações da Associação Brasileira de Criadores de Gado Pé-Duro (ABPD), o Pé-Duro é um bovino dócil, rústico e resistente, completamente adaptado ao clima tropical, ao calor, à seca, às pastagens naturais do Nordeste, em especial ao semiárido com sua vegetação de caatinga. É também tolerante a temperaturas elevadas, a parasitas, e, possivelmente, a algumas plantas tóxicas da região, como o barbatimão (Stryphnodendron coriaceum) e à erva-de-rato (Palicourea marc gravii).

     Importância histórico-cultural

     Para alguns historiadores, as primeiras cabeças de gado bovino foram introduzidas na Bahia, em 1535, por Tomé de Sousa, vindas, diretamente, da Ilha de Cabo Verde. Esses animais eram trazidos juntos com os escravos e trocados por açúcar e outras mercadorias. Essas raças chamadas de crioulas, nativas ou naturalizadas deram início ao povoamento dos campos naturais do Brasil, adaptando-se ao novo ambiente e formando grandes rebanhos que originaram diversas variedades, algumas das quais hoje já melhoradas.

     A raça Pé-Duro é descendente dos bovinos trazidos pelos portugueses no período colonial. O Piauí chegou a possuir o maior rebanho bovino do País, tornando-se um grande exportador de carne para outras regiões brasileiras e de couro para a Europa. Simplício Dias, um notável empreendedor do século XVIII, na cidade de Parnaíba, abatia cerca de 30 mil bois por ano e possuía uma frota própria de navios para transportar seus produtos. E o gado Pé-Duro era a base dessa pecuária. Daí a importância que esta raça tem na história, economia, tradição e folclore do Piauí e de outros estados.

     Fonte: http://www.meionorte.com/noticias
     Foto ilustrativa: picasaweb.google.com
     Enviado por  Gonçalo Carvalho Filho
 
Comentários:
Enviado por Antonino Fontenele de Carvalho em 29/08/2009 às 10:32:30
A edição do Decreto reconhecendo o gado pé-duro como patrimônio histórico e cultural do Piauí foi um grande passo para resgatar a raça "curraleiro" que foi heroicamente preservada pelos criadores . No Ceará ainda existem pequenos núcleos desse gado fantástico espalhados pelo sertão e litoral do estado. Tudo indica que os criadores irão resistir e preservar o pé-duro com a forção de uma associação.
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