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domingo, 18 de julho de 2010
  Traços culturais de nossa sociedade - Quitandas de antigamente I
 
     Não faz muito tempo que por toda parte a gente se deparava com uma quitanda por onde passava uma sociedade de hábitos simples como o simples ato de jogar fora uma cusparada de fumo parnaibano, sergipano. Engolir uma talagada de São João da Barra, Tiquira ou cachaça. Uma pinga aqui outra acolá. Uma conversa fiada, enfiada atrás de outra. Um cumprimento simples por gesto ou aperto de mão. Se não tinha "réis" pra pagar a conta, podia anotar e dependurar num prego qualquer da prateleira. Era dívida com pagamento certo; palavra dada valia mais que assinatura. Tanto que o dono anotava sem contrapartida do comprador. Tudo bem, escrever era para poucos e nem por isso mais valioso. Palavra valia mais.
     Batalha e suas bodegas com tiras de "pregatas", pente fino pra catar piolhos nas cabeças dos meninos antes de colocar um pouco de DDT (aquela latinha moderna que apertando na borda dava um estalo enquanto o pó tóxico saia por um buraquinho mortal). Não tinha piolho, carrapato ou chato que resistisse. Tempos depois a saúde mundial proibiu tal produto.
     Poucas ou quase nenhuma tinha rádio movido a pilha rayovac, as amarelinhas. Se tinha, era pra ouvir a Voz do Brasil e boa música pela Rádio Pioneira de Teresina, Tupinambá de Sobral, Sociedade da Bahia e mais algumas de ondas curtas e médias medidas em kHz.
     Na foto ilustrativa, muitos desses elementos estão presentes e o motivo desta crônica é aguçar a memória daqueles que relutam em não perder o doce sabor de uma recordação saudável.  Afinal, relembrar o passado é viver novamente!
     George Machado Tabatinga, responsável pela Página de Batalha na Internet

 
Comentários:
Enviado por Toinho do Zuza em 29/07/2010 às 17:48:07
Prezado George, eu fui criado dentro de uma quitanda, e sei muito bem como era na época, realmente todo mundo confiava em todo mundo, bastava colocar o valor em um papel de embrulho e fixar em um prego mais próximo e depois tudo dava certo, às vezes nunca mais voltava, contudo tinha aqueles que pagava o prego e deixava o outro já para vir no outro dia e beber umas pingas, comprar 8om fumo , acuçar e etc,, trazia um couro de bode, já pagava a conta e começava outra tudo de novo e assim a vida continuava, valia mais a consideração do que o dinheiro.....................
Enviado por nelly em 27/07/2010 às 18:34:51
isso me fez lembrar o tempo que eu juntava castanha, pra trocar por bolacha fogosa na quitanda do luiz rosa e comprar fumo saci pra minha vò.rsss..
Enviado por rasec machado em 23/07/2010 às 16:47:35
otimo o trabalho que voce faz,relembrando o passado dos batalhenses. Passado esse que nunca mais voltara,mas ficara guardado na memoria de todos aqueles que viveram aqueles momentos.Muito bom ver essas fotos que voce coloca nesse site,grandes figuras.Valeu.
Enviado por Leoni Quaresma de Melo em 20/07/2010 às 09:35:57
Os traços característicos da verdadeira quitanda estão contemplados na crônica de George que, geralmente eram proprietários os considerados mais abastados da cidade, citam-se: Sr. Sansão, Sr. Antonio Firmino, Sr. Antonino Barbosa, Sr. José Araújo, Sr. Álvaro Vaz, Sr. José Romão, Sr. Raimundo da Padaria, Sr. Moreno, Sr. Chico Filho dentre outros. Por outro lado as lojas de tecidos e compras de cereais e peles, tendo como proprietários : Sr. Chico Melo, Sr. Benedito Melo, Sr. Raimundo Euclides, Sr. Machado Melo, à epoca atribuídos de comerciantes e quitandeiros, hoje qualquer proprietário de um pequeno comércio chamam de "empresário" e/ou operador de mercado. Marcam-se de saudades as novelas transmitidas via rádio, os jornais radiofônicos tendo como veículos os rádios modelo jaboti e outros da marca Philco valvulados. Hoje, com esta tecnologia e práticas repetivas sem esforços, aguçam-me vontades de, se possível, retroceder os infalíveis ponteiros marcadores do tempo.
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